
Tem certas coisas que acontecem que marcam e ficam em nossa memória para sempre, Coisas essas que nossos olhos recusam a crê.
Certo dia ao pegar um ônibus junto com minha mãe, rumo a nossa casa depois de uma manhã de compras natalinas, sentamos e ficamos jogando conversa fora. Ao olhar para o lado minha mãe viu uma cena e me chamou para que eu também compartilhasse deste momento com ela.
Haviam dois rapazes sentados nas cadeiras ao lado da nossa; Um deles o que estava na janela lia um livro que eu não conseguir ver o titulo, Enquanto o outro dormia com a cabeça apoiada no seu ombro.
Haviam dois rapazes sentados nas cadeiras ao lado da nossa; Um deles o que estava na janela lia um livro que eu não conseguir ver o titulo, Enquanto o outro dormia com a cabeça apoiada no seu ombro.
Aquela cena aos meus olhos e aos da minha mãe parecia tão serena, transmitia uma leveza que a tornava bela. Nos entreolhamos, sorrimos e voltamos a jogar conversa fora.
Alguns minutos depois um senhor aparentando ter uns cinquenta e poucos anos, entrou no ônibus e sentou-se na cadeira em frente a nossa. Seus fios brancos de cabelo chamaram minha atenção e eu o olhei. Pude observar que seu olhar estava constantemente voltado para rua. Daí voltei a conversar com minha mãe.
Após alguns quilometros escultei os seguintes comentarios:
- QUE ABSUDO! UMA TOTAL FALTA DE RESPEITO.
- ISSO DEVERIA SER PROIBIDO.
Minha mãe e eu paramos a conversa e reparei que essas frases tinha sido proferidas pelo senhor que encontravasse em nossa frente. E mais ainda, ele referia-se com tanta "indignação" aos rapazes que estavam ao nosso lado, ainda da mesma forma que descrevir anteriormente.
O senhor continuou com seu discurso, só que agora ele olhava para mim e minha mãe como se buscasse apoio para suas falas. Nesse momento olhei para o casal, e aquele que estava lendo o livro passou o braço sob seu companheiro como se quisesse proteger-lo de todo aquele disparate.
Olhei para minha mãe e ela balançava a cabeça negativamente ao discurso daquele homem. Ela me propos que mudassemos de lugar e eu concordei. Alguns pontos depois os dois rapazes desceram do ônibus exalando a mesma leveza e serenidade de antes.
Faltava poucos pontos para o meu destino, e olhando pela janela passavam mil coisas pela minha cabeça, dentre elas as seguintes perguntas:
- Será que se fosse um casal heterosexual na mesma cena aquele homem teria feito tamanho alarde?
- E porque aquela cena pareceu tão mais simples para mim e minha mãe do que para ele?
Talvez um dia quando eu adquirir mais disernimento e experiência de vida eu possa entender (ou não). Até lá eu irei continuar questionando sobre outras coisas como:
- Qual problema se ela só usa preto?
- E ele ter tatuagem?
- Ela ter cabelo crespo?
- Ele ser preto, branco, azul ou cinza?
- O que tem demais dele morar em favela, ou em bairro nobre? Ser rico ou pobre?
- E daí se a menina gosta de outra menina? Ou rapaz gostar do seu semelhante?!
- Qual o crime uma garota gostar de homens mais velhos, e vice-versa?
São tantos rótulos, estereótipos, conceitos e preconceitos tão vazios que não entendo como ainda existem. Creio que esta na hora de se criar uma nova era, uma geração mais "egoísta", em que cada um cuide do seu sem deixar de respeitar o do outro. Uma era onde se preze a essencia e não a aparência. Onde o amor, a felicidade e o respeito andem sempre juntos, afinal isso é a coisa mais importante.

"A quantidade de preconceito que cada um de nós tem é inversamente proporcional a de inteligência".
ResponderExcluirJefferson Luiz Maleski
by: Luana Neres